Secção Técnica Temática de trabalhos da A.R.L.A. |
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Os Satélites com repetidores analógicos de banda cruzada em FM. O recentemente activo satélite Sul-Africano SUNSAT-OSCAR 35 deu início a uma nova era na operação das comunicações espaciais dos radioamadores a comunicação em FM através de uma estação repetidora automática a bordo que usa VHF e UHF nas suas ligações com o solo. Até aqui, a operação das estações do serviço de amador por satélite em FM limitavam-se quase exclusivamente a contactos com os astronautas radioamadores a bordo das naves espaciais americanas tripuladas em programas muito especiais como o SAREX ou com a estação orbital russa MIR quando esta era tripulada. As transmissões por satélite eram quase exclusivamente em telegrafia ( CW ) ou por transmissão de dados ( sobretudo rádio pacote ) e a telefonia limitada quase exclusivamente ao uso da banda lateral única ( SSB ). Com estes pressupostos, aliados ao facto do uso de banda cruzada em que por vezes uma das faixas de frequências era no segmento de HF e a outra em VHF ou mesmo UHF, a operação dos satélites de amador tornava-se difícil de se tornar uma actividade popular. Os raros aficcionados deste tipo de operação eram vistos como uma espécie de elite e os custos em equipamentos, para quem não tinha possibilidades para os construir em casa, afastava desta modalidade sobretudo os utentes das licenças de níveis mais baixos pela inacessibilidade legal para trabalharem certas frequências em faixas que não lhe estavam atribuídas ou ainda certas modulações dentro dos seus segmentos. Actualmente há pelo menos 3 satélites do serviço de amador que transportam a bordo estações repetidoras automáticas analógicas do serviço de amador em FM, como qualquer comum ligação deste tipo por telefonia no solo. Não se pense porém que logo desde o início esta forma de operação foi generalizada. Nas primeiras experiências, satélites com esta rara capacidade de comunicações foram apenas activados em FM por curtos períodos de tempo ou apenas sobre determinado hemisfério ou território. Hoje em dia já se podem operar satélites em FM com um simples equipamento portátil ou móvel de banda dupla desde que se escolha bem a antena em causa, ( como com qualquer estação repetidora local ). Será pois previsível que em breve, ( há medida que mais e mais radioamadores se apercebem da facilidade de operação de um repetidor FM com alcance de pelo menos 3.000 quilómetros e o testarem com sucesso ), surjam as situações de congestionamento generalizado que presentemente apenas se dão ainda em alguns casos pontuais. Há medida que a operação através do SUNSAT se veio a popularizar, ( a partir da Primavera de 1999 ), sobretudo em certas regiões do mundo como na Austrália, na América do Norte e em determinadas partes da Europa, os radioamadores que operavam este satélite sentiram cada vez mais necessidade de regulamentar uma situação que ameaçava tornar-se caótica. Desta necessidade surgiram os primeiros procedimentos não formais de etiqueta que algumas estações começam a implementar com sucesso para o tráfego. Para se compreender melhor esta situação convinha antes de analisarmos com maior profundidade este tipo de satélites analógicos antes de entrarmos porpriamente no seu modo de operação. No quadro que se segue vamos começar por comparar diferentes tipos de estações repetidoras do serviço de amador por satélite e de solo :
Considerando estes dados comparativos podemos encontrar algo de comum entre estações repetidoras do serviço de amador em FM, isto é, o facto de só permitirem o uso de um utilizador de cada vez, ( quer estejam instaladas a bordo de satélites em órbita ou no solo colocadas no topo de montanhas e noutros locais estratégicos como edifícios altos ). Esta situação obriga a uma certa disciplina nas comunicações, sobretudo se estivermos a ter em consideração um satélite que passa de cada vez por escassos 10 a 20 minutos acima do nosso horizonte e por apenas 2 a 4 vezes por dia. Os congestionamentos de comunicações aconselham a moderação na ânsia de se usar o satélite, sendo a primeira regra de etiqueta e bons costumes uma estação limitar-se a apenas um ou dois QSOs por cada passagem sobretudo se estiverem outras estações presentes em frequência para tentarem os seus contactos também. Nestas condições, compreende-se desde logo que em situação de congestionamento os câmbios devem ser o mais curtos possíveis e quase se limitarem à imprescindível troca de indicativos, seguida de um curto relatório de recepção e, para quem está interessado na troca de QSL a pergunta do costume antes das despedidas com cortesia e educação mas de uma forma telegráfica. Um contacto desta natureza faz lembrar os « empilhamentos » de estações com expedições em locais muito procurados ou às actividades de concurso. Demorar cerca de uns 2 minutos por contacto é ainda um período aceitável. Para muitos colegas este tipo de actividade não justifica sequer a perda de tempo e de meios a calcular a trajectória do satélite e a preparar a sua estação para esta actividade. Para outros, só o facto de aprenderem a lutar contra o efeito Doppler e fazerem contactos a mais de 3.000 quilómetros de distância em FM quando não dispõem de uma licença para operarem em ondas curtas, vale todos esses esforços e mais alguns. Outros ainda fazem-no só para conquistarem um DX com uma licença que não lhes permite trabalharem nas faixas de frequências em que os contactos em longa distância são naturais. Em momentos de menor actividade podem-se efectuar contactos mais prolongados, ( na ordem dos 15 minutos ), até com uma só estação apenas, tendo sempre o cuidado de se fazerem intervenções curtas ( não ultrapassar 15 a 20 segundos de cada vez ), até porque o controle sobre os afastamentos na frequência obrigam a esse rigor. O que já está escrito e disponível sobre a operação através de satélites analógicos do serviço de amador nos artigos de radioamadores, ( como esta primeira regra que aqui foi avançada ) faz parte do senso comum, porém há um conjunto de procedimentos que são mais ou menos específicos para o caso da FM, combinando-se neste caso regras da operação tradicional em estações repetidoras locais, com as dos concursos e as da operação nos satélites tradicionais de comunicações digitais com segmentos de telegrafia e telefonia em banda lateral. As propostas que se seguem são um corolário do que os nossos colegas da bacia do Pacífico ( nomeadamente Estados Unidos e Oceânia ) estão a tentar pôr em prática informalmente entre eles sobretudo através do satélite UO-14 :
Operar
através destes repetidores analógicos em FM a bordo de
satélites do serviço de amador não é tecnicamente difícil
nem é uma comunicação que se afasta radicalmente das
formas de contacto via repetidores locais. Para se
conseguirem ultrapassar as particularidades destes
repetidores, como o facto de estarem a mais de 800 quilómetros
de altitude e em movimento, constante basta seguir
algumas regras simples :
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